22/11/2015 13h05 - Atualizado em 22/11/2015 13h10

BATISMO DE CAPOEIRA E TROCA DE CORDÉIS


Grupo Oxósse batizou iniciados na capoeira e fez troca de cordéis

Uma roda de capoeira animada pelo som de atabaques e berimbaus, no centro da quadra do Ginásio Municipal de Pejuçara, marcou o batizado de novos integrantes do Grupo Oxósse e a troca de cordéis para alunos veteranos, na tarde de quinta-feira, dia 19/11.

O ato cultural teve a mistura de solenidade, artes marciais e música. Com a presença de autoridades municipais como o prefeito Eduardo Buzzatti e a secretária de Assistência Social Daiane Maccangnan Porn, os vereadores João Carlos Martins e Irineu Zamberlan, além de representantes e dirigentes da comunidade escolar. O protocolo foi conduzido pelo professor Júlio Alves Souto.

O evento trouxe até Pejuçara um dos nomes mais expressivos do Estado no círculo da capoeira, Paulo Renato Narciso, o mestre Karkará, que atualmente reside em Lajeado. Seguidor da técnica autoral de mestre Índio fundador do Grupo Oxósse, em Salvador/BA, Karkará está radicado no RS há 20 anos e a cada formatura assiste o crescimento de um trabalho que já arregimentou mais de 15 mil alunos.

Em seu pronunciamento, mestre Karkará disse que foi através da capoeira que ele e outros difusores da arte conheceram diversos países do Mundo. “A capoeira é uma cultura que está espalhada em todo o Brasil e em países como a Alemanha, França e Itália”. Sobre a raiz do grupo Oxósse, ele afirmou que vem das ruas da Bahia a partir da década de 30, sendo a mais completa para os propósitos de defesa pessoal e projeção artística.

Na época do Império, Dom João VI tinha capoeiristas na sua guarda pessoal e sua prática como dança e música também serviu de subsistência para muitos negros em shows exibidos em locais públicos. O reconhecimento da capoeira, segundo mestre Karkará, como patrimônio imaterial oficializou a sua inclusão em programas educacionais como o Mais Educação, do governo federal, ampliando o mercado de trabalho dos seus seguidores.

Em Pejuçara, a capoeira foi introduzida em outras épocas com resultados efêmeros, mas não nas condições que existem agora. Desde abril deste ano, o trabalho vem sendo conduzido pelo professor Thiago Marcolan, mais conhecido como Thiago Pitbull, responsável pela formação de 42 alunos, dos quais 27 fazem parte do projeto Criança Esperança e Escola Municipal, com aulas no CEPIB. Também estiveram presentes para troca de cordéis alunos de Cruz Alta.

Os cordéis entregues para os iniciados foram da cor vermelha. Para os mais avançados no aprendizado foram amarelos, verdes e verde/amarelos. Para batizar toda essa gente, com os novos praticantes jogando pela primeira vez com um mestre, foi necessária uma longa roda de capoeira. As crianças seguiram o ritual de iniciação, jogando e recebendo uma queda, seguida de um abraço e o reconhecimento como capoeiristas.

O professor de educação física Paulo Rogério do Nascimento, o mestre Paulinho, que por 20 anos promoveu a capoeira em Panambi acaba de se transferir para a cidade de Crato, no Ceará. Ele também esteve nesse 1º batismo do Grupo Oxósse e defendeu a sua prática como parte do crescimento individual das crianças. “Elas não aprendem apenas a lutar e jogar, mas também a tocar instrumentos típicos e a expressar a alegria do canto” afirmou.

Em seu pronunciamento, o prefeito Eduardo Buzzatti se congratulou com os mestres capoeiristas do Grupo Oxósse e, em especial, o professor Thiago Pitbull que está inserido na comunidade, com a responsabilidade de fazer crianças e jovens compreender o valor artístico, lúdico e cultural da capoeira. O apoio do poder público é uma forma de reconhecimento pelo que ela ainda tem a contribuir no processo educacional e na construção de valores da comunidade escolar.

BATISMO DE CAPOEIRA E TROCA DE CÓRDEIS



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