30/10/2015 13h05 - Atualizado em 31/10/2015 22h08

A poesia de Escobar


O humor ainda pulsa na poesia de Escobar Nogueira

Em Pejuçara, ele é o Dedé, filho da Deja. Mas, no circuito literário gaúcho, o poeta, professor e palestrante de 44 anos tem nome próprio: Escobar. Uma vez conversando com Thedy Corrêa –aquele mesmo, do Nenhum de Nós - sobre sua vinda à Pejuçara para divulgar o livro de poesias Bruto, na Feira Municipal do Livro, ele disse: “estou aqui à convite do Escobar”. Para as crianças que assistiam deslumbradas a palestra do pop star gaúcho, aquilo passou despercebido. Se ele tivesse dito “foi o Dedé que me convidou”, teria mais sentido de ligação com o nome e a pessoa.

O professor Dedé dos pejuçarenses e o poeta Escobar dos letrados (já deu prá perceber que são a mesma pessoa) estiveram fazendo o lançamento do livro de poemas Borges Vai ao Cinema com Maria Kodama, a sexta obra do escritor, onde ele continua expressando o seu jeito divertido de ser, que ele traz desde o seu primeiro livro, mas agora com mais sutileza e um certo refinamento, por assim dizer. Na orelha do livro, se percebe durante a apresentação de Sergius Gonzaga, figura exponencial da cultura gaúcha, essa mudança como um processo de amadurecimento.

“O gosto pelo insólito e pelo imprevisto que sempre caracterizou o autor, persiste, e é um dos elementos marcantes de sua expressão, mas também aí houve modificações positivas, pois constata-se o abandono de certa tendência ao humorismo prosaico, quase anedótico, de muitos de seus poemas anteriores, resultante é verdade da irresistível graça pessoal do escritor que a transferia diretamente para seus versos.” Mais explicativo, do que estas observações do taquarense e secretário de cultura de Porto Alegre dos anos 2000, é desnecessário.

A essência do novo trabalho poético de Escobar Nogueira são coisas vividas pelo autor nos últimos seis anos, coletadas aqui e ali, e armazenadas em sua memória. Quando ele lhe concede uma parada, na rotina frenética de professor nos cursos de pré-vestibular Fóton, em Santa Maria, e o Doctor, em Paso Fundo, essas leituras e impressões começam a lhe perturbar e enchem sua cabeça como matéria-prima para seus poemas. Para seu amigo e resenhista da orelha do livro, Sergius Gonzaga alguns dos poemas estão entre os melhores que ele já leu nós últimos tempos. Uma bela constatação. Sem exageros. Escobar está brilhante.

O poeta abandonou a agressividade de versos provocativos para adotar uma ironia sutil. Continua com o talento de sempre, que faz o leitor se compadecer de suas próprias desventuras, sem gargalhadas, mas com a satisfação de quem desopila o mau humor com o melhor antídoto: o riso. “O artista deve sofrer” cita o Manifesto sore a Vida do Artista, de Marina Abramovic, para alcançar a inspiração e falar de amor ou, se expor ao ridículo, mesmo, desde que valha uma boa piada ou um poema divertido. Leitor satisfeito é elogio à arte.

Escobar Nogueira está num grande momento de inspiração e criatividade – numa “boa fase”, diríamos, se ele ainda estivesse pela ponta-esquerda do São Luiz, chegando ao fundo e botando bola no meio da área, tipo Dedé. O jogo continua em outras paradas e Escobar está cotadíssimo para a seleção dos leitores que buscam construções poéticas que despertam sentimentos, antagônicos como alegria e tristeza, e outros, melancólicos, filosóficos e existenciais.

O lançamento do livro, em Pejuçara, aconteceu na noite de quarta-feira (28/10) durante o Jantar de Integração entre os Professores e Funcionários da Rede Municipal e Estadual de Ensino. As atividades foram organizadas pelas Direções das Escolas, Secretaria de Educação e Departamento de Eventos. A festa contemplou o transcurso do Dia do Professor e do Funcionário Público. A conversa motivacional feita pelo autor Escobar Nogueira, na sede social do Lions Clube, proporcionou momentos de descontração e alegria, pela grande capacidade comunicativa e graça do palestrante, refletindo sobre "as contradições em se fazer o que se gosta todos os dias". O prefeito Eduardo Buzzatti e a Primeira Dama Maria Lúcia parabenizaram o autor pela beleza poética da obra literária.

A poesia de Escobar



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